A palavra diáspora significa dispersão, retirada de povos do seu local de origem, seja por motivos políticos ou religiosos. A Diáspora Negra que, no primeiro momento, ocorreu por força do tráfico de escravos, impeliu o esparramento dos negros africanos pelos diversos continentes.

A escravidão no Brasil abolida somente no dia 13 de maio de 1888, sendo o último país a revogar essa tamanha atrocidade, que sucedeu por mais de trezentos e oitenta anos, mediante açoites, transformação de seres humanos em mercadorias, estupros, sujeições e humilhações de um povo e de sua cultura. Todavia, o fim da escravidão não representou o fomento de ações públicas capazes de promover a integridade dos descendentes africanos no Brasil, o que decorre daí, a cor da pobreza e da exclusão neste imenso Brasil.

À vista disso, a dispersão dos negros no Brasil, em que pese à perversidade da escravidão e do racismo que, até hoje, continua silenciado e produzindo consequências à estrutura psíquica das pessoas face os efeitos do preconceito e da discriminação, frutificou uma sumptuosa herança cultural e inúmeras expressões artísticas que passam pela música, literatura, culinária, dança, artes plásticas.

Outrossim, destaca-se o ativismo do movimento negro e toda sua intelectualidade que tem produzido um outro olhar sobre a Diáspora Negra no Brasil. Com efeito, a exposição “Diáspora” do Artista Plástico Josafá Neves vem agregar projeção a cultura negra no Brasil por meio de sua paleta autodidata que busca visibilizar os inúmeros realizadores da Diáspora Negra Brasileira nos domínios da música, das artes plásticas, do ativismo político, enfim, da extensa criação por parte dos negros no Brasil.

Lêda Gonçalves de Freitas
(Mestre em Educação. Doutora em Psicologia Social e do Trabalho. Professora e pesquisadora permanente do Programa de Pós em Psicologia da UCB).

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